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Coronavírus pode derrubar vendas de veículos em mais de 20% na China em 2020

Estudo da Bain & Company revela que fevereiro registrou queda de 80% nas vendas e fornecedores de peças já enfrentam prejuízos bilionários

O covid-19 está causando forte impacto em praticamente todos os setores. No ramo automotivo, o cenário não é diferente, e as vendas de veículos de passageiros na China já sofrem com baixas importantes. A Bain & Company avalia que, no cenário mais ameno, em 2020 a queda será 5% abaixo das expectativas pré-crise. No caso intermediário, o declínio poderá chegar a 10%, e os números alcançam 23% no pior cenário.

Se não houver ressurgimento da pandemia na China, os choques de demanda provavelmente serão o maior desafio gerencial do setor. As ações prioritárias para as montadoras incluem melhorar sistematicamente a eficiência operacional, redefinir a estratégia de preços e avançar sobre as vendas on-line.

Quando a sars atingiu a China em 2003, a epidemia não afetou a crescente indústria automobilística local. As montadoras expandiram seus negócios, construíram novas fábricas para aproveitar a transformação em curso na economia chinesa. O surto acabou por estimular a demanda de carros entre alguns passageiros que não queriam correr o risco de infecção pelo uso de transporte público. No geral, quase 2 milhões de carros foram vendidos em 2003, 75% acima de 2002.

É muito cedo para prever como ou quando o surto de coronavírus de 2020 se resolverá na China, mas a Bain & Company prevê que a indústria automobilística não terá desempenho tão bom quanto o de quase duas décadas atrás. O covid-19 continua se espalhando mais amplamente que a sars, e faz isso em um cenário de crescimento econômico já em desaceleração.

Além disso, anos de forte crescimento nas vendas significam que o mercado automotivo está muito mais maduro que na época da sars; em 2018, havia 183 carros em uso para cada mil adultos na China, ante apenas nove carros em 2003. O mercado chinês se tornou nos últimos anos uma importante fonte de vendas para a indústria automobilística global.

O setor já enfrenta um choque de oferta de curto prazo na China. Quase 7% da produção de veículos leves da China está em Wuhan, a cidade onde o covid-19 foi identificado pela primeira vez. A produtividade foi prejudicada pela escassez de suprimentos de proteção, deficiências logísticas e outros fatores. De fato, alguns fornecedores modificaram as linhas de produção para fazer outros produtos, como máscaras protetoras.

Apesar disso, a Bain & Company avalia que a demanda, e não a oferta, será o principal obstáculo à indústria automobilística na China nas próximas semanas e nos próximos meses. Se não houver ressurgimento da pandemia, a capacidade de produção deverá voltar ao normal nos próximos trimestres de 2020. Além disso, o estoque já existente na rede de vendas deve ser suficiente para cobrir entre 30 a 45 dias de vendas regulares.

Como as vendas caíram para um nível abaixo do regular, é improvável que a falta de oferta seja um problema. As restrições impostas durante os estágios iniciais do surto já forçaram os consumidores a adiar as compras de carros, como mostra a queda de 80% nas vendas em fevereiro. Esse mês catastrófico representa muita receita perdida. 

A Bain & Company analisou detalhadamente três fornecedores de peças automotivas com forte presença na China, e calculou que a receita perdida apenas em fevereiro seria entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões. O impacto da liquidez em alguns fornecedores pode ser significativo, dado o espaço limitado que eles têm para cortar custos fixos, e é provável que leve algum tempo para que se recuperem completamente. Por exemplo, o lucro perdido pelos fornecedores analisados pode ser de cerca de US$ 3 bilhões somente em fevereiro.

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