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Pelas redes sociais, Ciência USP desbrava mares inexplorados e chega a novos públicos

Canal realiza ações que vão desde divulgar de maneira inovadora descobertas capitaneadas pela Universidade até solucionar dúvidas

Por Denis Pacheco



Foi-se o tempo em que a comunicação realizada por instituições, marcas ou veículos era sinônimo de via de mão única. O clichê adotado no início das redes sociais instituiu uma notória "mão dupla" quando o assunto envolvia a troca entre comunicadores e ouvintes. No entanto, com a pulverização da audiência em diferentes redes, os caminhos para se encontrar o público expandem as possibilidades de comunicação para diversos novos formatos.


No Jornal da USP, principal veículo da Universidade, o braço de divulgação científica tem tomado a dianteira quando o assunto é ampliar o público e encontrá-lo onde ele está. Em seus três principais canais, no Facebook, Instagram e Twitter, o Ciência USP tem realizado nos últimos dois anos uma série de ações que vão desde divulgar de maneira inovadora descobertas capitaneadas pela USP até solucionar dúvidas e informar seu público por meio de stories e webinars.


Informação até na mesa do bar

Para Luiza Caires, editora de Ciências e líder da equipe de jornalistas que movimenta as ações na internet, os números crescentes, que incluem mais de 100 mil seguidores no Instagram e mais de 200 mil no Facebook, são reflexo, mas não objetivo principal do trabalho. "Indo além dos números, que mostram o sucesso desse tipo de interação, uma relação de confiança é estabelecida com o público - para quem também deixamos claro que às vezes há dúvidas para as quais ainda não há respostas", esclarece ela.
Um dos exemplos de ação que envolveu seguidores foi realizada no Instagram, em cima da notícia veiculada pelo Jornal da USP sobre a descoberta de uma nova doença, causada por parasita ainda desconhecido, que gerava sintomas semelhantes à leishmaniose, mas de forma mais grave e aguda.

Nas "Stories", o público foi convidado a enviar suas dúvidas, que eram levadas em tempo real para os especialistas entrevistados na matéria responderem, gerando grande interesse e participação.

A matéria foi uma das mais acessadas no ano de 2019 e as stories com as perguntas também foram acessadas por milhares de usuários. "Eu literalmente estava no barzinho numa sexta à noite enviando perguntas para cientistas, que me respondiam solícitos pelo WhatsApp. Não dá para fazer isso sempre, mas era uma descoberta importante e todos ficaram empolgados, o público e eles", lembra ela.

Números do Ciência USP nas redes
Dados de 8 de maio de 2020


O que o público quer saber

Não por acaso, no início da pandemia de covid-19, muitas pautas de Ciências cobertas pelo Jornal da USP vieram de sugestões de usuários com dúvidas nas redes.

"As máscaras, por exemplo, geravam muita incerteza: usar ou não? A de pano adianta?", exemplifica Luiza ao ressaltar que mesmo essas dúvidas, a princípio simples, ainda não foram sanadas em consenso pelos cientistas, o que reforça que parte do trabalho do canal também é esclarecer que, na ciência, é preciso de tempo e investimento para se solucionar mistérios, e o público será melhor servido quando informado sobre o que ainda não se sabe com certeza.
No começo da pandemia, a jornalista lembra que, motivada pela inundação de informações sobre o assunto, consultar a audiência das redes foi essencial para que pudessem ser estabelecidas pautas prioritárias. "Quisemos sondar nossa audiência do Instagram com uma enquete - que sabemos não ser acurada, porém poderia servir para dar alguma noção do que pensavam", conta.

A pergunta da enquete era se o Ciência USP deveria se concentrar por um tempo somente em assuntos relativos à pandemia, ou se o público gostaria de continuar acompanhando outros temas. "Ficou empatado, mas gradativamente notamos que as views, likes e shares eram sempre maiores em posts que falavam sobre a covid-19. Então optamos por nos concentrar fortemente no assunto, mas com um pequeno espaço para outros temas, no caso de estudos de muito impacto", revela Luiza ao reforçar que os insights sobre o interesse do público podem reforçar o que já sabemos ou orientar novos caminhos para o conteúdo lançado nas redes.
Durante a última grande enchente em São Paulo, que aconteceu no início deste ano, muitos cidadãos ainda estavam em dúvida sobre as causas e consequências do desastre. Para responder ao público, a equipe procurou dois pesquisadores para falar sobre o assunto em vídeos nas stories do Instagram.

O resultado positivo e o retorno do público levaram a equipe a fazer o mesmo durante outro evento marcante que envolveu parte do País, o avanço de uma nuvem de poluição que escureceu o céu de grandes cidades como São Paulo. "Coincidentemente eu estava entrevistando um doutorando em meteorologia naquele dia, e pedi para ele fazer um vídeo, que gravei com o celular e postei, para explicar o que se sabia a respeito do fenômeno", afirma Luiza.

Uma dúvida de cada vez

Embora existam normas básicas para a interação com usuários nos comentários - respondendo apenas dúvidas relativas à ciência com apoio de especialistas, por exemplo -, nem sempre é possível endereçar todos os comentários. "É uma quantidade grande que chega para uma equipe limitada. Escolhemos as dúvidas que achamos mais importantes ou as perguntas que são feitas por mais de um seguidor - o que pode significar que falhamos em informar algo importante, e precisamos complementar", esclarece.

A interação bem-sucedida por meio de comentários em posts e stories levou os responsáveis pelas redes a uma nova etapa de conversa com o público: os webinars. O primeiro de uma série on-line que pretende abordar os diversos aspectos da pandemia de covid-19 foi realizado no último dia 6 de maio.

"Os webinars que estamos organizando partem de um desejo antigo de o Jornal da USP promover eventos. Percebemos que não poderia haver momento melhor. Ainda há muito por esclarecer [sobre a pandemia], e os webinars devem ajudar nisso, além de ampliarem discussões que às vezes ficam restritas a cientistas, mas podem ser interessantes ao público", afirma a jornalista.


A importância do feedback

Usar as redes sociais em sua plena capacidade tem sido a diretriz das últimas semanas em um mundo que se adapta parcialmente ao chamado "novo normal", realidade que nasceu a partir das políticas de isolamento, que podem ajudar a conter o avanço da pandemia.

Nesse contexto, alcançar novos públicos, ouvir suas dúvidas e contribuir com respostas para estabelecer o diálogo se torna ainda mais prioritário para divulgadores científicos, cuja importância e popularidade foram alçadas a patamares altos durante as últimas semanas.

Para Luiza, os resultados das ações do Ciência USP nas redes estão cada vez mais visíveis e orientam o futuro do trabalho. "Quando noticiamos que haviam sido identificados diferentes genomas nos coronavírus em diferentes países, as pessoas se assustaram e manifestaram isso nos posts que fizemos nas redes sociais. A preocupação era: o vírus já está mutando? Voltamos ao pesquisador entrevistado, que tratou de nos tranquilizar, e repassamos isso ao público que comentou". Ao esclarecer em detalhes sobre como funcionam mutações e quais eram seus reais impactos no quesito letalidade, a equipe percebeu a repercussão que uma matéria incompreendida pode causar.

"Só ficamos sabendo isso pela interação nas mídias sociais. Temos pouca ideia sobre como o que produzimos de conteúdo será consumido e digerido pelo público, e sempre é bom receber esse feedback para melhorarmos nosso trabalho no sentido de não gerar pânico infundado ou ambiguidade", finaliza a jornalista.

Para saber quando serão realizados novos webinars e para acompanhar o trabalho da equipe feito nas redes sociais, siga o Ciência USP no Facebook, Instagram e Twitter.

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